A testosterona ainda é vista por muitos como um "hormônio masculino". No entanto, a ciência mais recente mostra que essa ideia é ultrapassada e pode privar inúmeras mulheres dos benefícios terapêuticos que esse hormônio oferece à saúde física, mental e metabólica feminina.
Nesta postagem, baseado no estudo publicado na revista Maturitas por Glaser e Dimitrakakis (2013), vamos desmistificar os principais equívocos sobre o uso da testosterona em mulheres e revelar como ela pode ser uma aliada poderosa das mulheres.
🚫 Mito 1: Testosterona é um hormônio masculino
✅ Fato: A testosterona é o hormônio sexual biologicamente ativo mais abundante nas mulheres durante toda a vida. Ela é medida em níveis muito superiores ao estradiol e está presente em todos os tecidos femininos com receptores androgênicos.
🚫 Mito 2: Testosterona só serve para libido
✅ Fato: O desejo sexual é apenas uma das múltiplas funções da testosterona. Ela atua no humor, energia, massa muscular, composição corporal, memória, sono, saúde óssea, imunidade e função cardíaca.
🚫 Mito 3: Testosterona masculiniza mulheres
✅ Fato: Os efeitos da testosterona são dose-dependentes. Doses fisiológicas utilizadas em medicina regenerativa não causam masculinização, e inclusive, podem "estimular a feminilidade".
🚫 Mito 4: Testosterona causa rouquidão
✅ Fato: Não há mecanismo fisiológico ou evidência clínica de que a testosterona em doses terapêuticas cause alteração vocal. A rouquidão está associada a infecções, refluxo e uso da voz, e não ao uso de T em doses adequadas.
🚫 Mito 5: Testosterona causa queda de cabelo
✅ Fato: A queda de cabelo feminina está muito mais relacionada à resistência insulínica, obesidade, hipotiroidismo e carências nutricionais. Muitas mulheres em uso de testosterona relatam crescimento capilar.
🚫 Mito 6: Testosterona faz mal para o coração
✅ Fato: A testosterona tem efeitos cardioprotetores. Melhora massa magra, sensibilidade à insulina, perfil lipídico e é vasodilatadora. Baixos níveis de T se associam a maior risco cardiovascular em homens e mulheres.
🚫 Mito 7: Testosterona causa lesões no fígado
✅ Fato: Apenas formas orais e sintéticas de andrógenos têm potencial hepatotóxico. A testosterona bioidêntica por via transdérmica ou subcutânea não prejudica o fígado nem altera enzimas hepáticas.
🚫 Mito 8: Testosterona deixa a mulher agressiva
✅ Fato: Ao contrário. T em doses fisiológicas melhora humor, reduz irritabilidade e estabiliza o emocional, sendo inclusive usada no manejo de TPM e depressão perimenopáusica.
🚫 Mito 9: Testosterona aumenta risco de câncer de mama
✅ Fato: T exerce efeito antiestrogênico nas mamas e pode até ser protetora, especialmente quando usada com inibidores de aromatase. O que aumenta o risco de câncer é o excesso de estradiol, não a T bioidêntica em equilíbrio.
🚫 Mito 10: Ainda não sabemos se a testosterona é segura para mulheres
✅ Fato: A testosterona é usada com segurança em mulheres desde 1938. Estudos com implantes subcutâneos mostram segurança mesmo em seguimento de décadas.
Conclusão
A testosterona desempenha papéis importantes na saúde da mulher, especialmente em aspectos como libido, disposição, composição corporal, metabolismo e saúde óssea. Quando indicada, sua utilização deve ser feita com base em critérios clínicos, exames laboratoriais e acompanhamento médico adequado.
Em mulheres na pós-menopausa, a testosterona pode ser considerada no tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo, conforme diretrizes internacionais. Sintomas como cansaço persistente, redução da libido, alterações de humor, perda de massa muscular ou osteopenia merecem investigação médica cuidadosa, podendo envolver a avaliação do eixo androgênico.
A conduta deve sempre ser personalizada, respaldada por evidências científicas e conduzida por profissional habilitado, com foco na segurança, eficácia e bem-estar da paciente.
📚 Referência:
Glaser R, Dimitrakakis C. Testosterone therapy in women: Myths and misconceptions. Maturitas. 2013;74(3):230–234. DOI: 10.1016/j.maturitas.2013.01.003
Nota sobre o artigo:
Embora o artigo seja de 2013, ele traz apontamentos valiosos sobre a fisiologia feminina, um tema frequentemente abordado de forma inadequada em materiais didáticos. Um problema recorrente é a representação gráfica das oscilações hormonais: quando a testosterona é incluída junto com o estradiol e a progesterona, os gráficos muitas vezes desconsideram as diferenças de unidades. A testosterona, cujos valores estão em uma escala maior (ex.: ng/dL), é plotada na mesma escala numérica que o estradiol e a progesterona, que possuem unidades menores (ex.: pg/mL), ignorando a necessidade de uniformização das unidades – um princípio básico para a análise de dados em ciências exatas. Este artigo é apenas um exemplo entre diversos estudos que abordam o tema, e pretendo compartilhar mais referências como esta aqui no blog ao longo do tempo.
Forte abraço,
Dra. Danielle Almeida
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