sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Jejum intermitente e resistência à insulina

 


O jejum intermitente tem ganhado espaço não apenas como estratégia para emagrecimento, mas também como uma forma eficaz de melhorar o metabolismo e restaurar a sensibilidade à insulina.

Mais do que uma dieta, ele representa um retorno ao ritmo natural do corpo — períodos de alimentação intercalados com momentos de repouso metabólico.

Durante o jejum, o organismo reduz a liberação de insulina e passa a utilizar gordura como principal fonte de energia. Essa pausa nos estímulos alimentares constantes permite que as células recuperem a sensibilidade à insulina, reduzindo o acúmulo de gordura abdominal e melhorando o controle da glicose no sangue.

Com o tempo, essa prática contribui para diminuir a resistência insulínica, um dos principais mecanismos associados à obesidade, síndrome metabólica, esteatose hepática e risco de diabetes tipo 2.

Além dos efeitos sobre a glicose, o jejum intermitente estimula a autofagia, um processo natural de “limpeza celular” que remove estruturas danificadas e reduz inflamações de baixo grau.
Também pode melhorar o perfil lipídico, a pressão arterial e marcadores de estresse oxidativo.

Existem diferentes formas de jejum, sendo as mais comuns:

  • 16:8 – 16 horas em jejum e 8 horas de janela alimentar;

  • 14:10 – jejum de 14 horas, mais leve e acessível à maioria das pessoas;

  • 5:2 – dois dias da semana com restrição calórica importante;

  • 23:1 (OMAD) – conhecido como One Meal a Day, consiste em permanecer 23 horas em jejum e concentrar toda a ingestão alimentar em uma única refeição diária.
    Essa modalidade exige acompanhamento médico e nutricional rigoroso, pois, embora possa favorecer o controle glicêmico e a autofagia, não é indicada para todos os perfis metabólicos.

Durante o jejum, é permitido consumir água, café preto sem açúcar e chás sem calorias. Na janela alimentar, é importante priorizar alimentos naturais: proteínas magras, gorduras boas e vegetais.

Quando bem orientado, o jejum intermitente ajuda o corpo a recuperar sua flexibilidade metabólica — a capacidade de alternar entre glicose e gordura como combustível — e se torna um aliado poderoso na prevenção e tratamento da resistência à insulina.


O jejum não é sobre privação, e sim sobre dar ao corpo tempo para requisitar os estoques energéticos e desinflamar.

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Forte abraço,

Dra. Danielle Almeida 


Referências

  1. Patterson RE, Sears DD. Metabolic Effects of Intermittent Fasting. Annual Review of Nutrition, 2017.

  2. Sutton EF et al. Early Time-Restricted Feeding Improves Insulin Sensitivity, Blood Pressure, and Oxidative Stress. Cell Metabolism, 2018.

  3. de Cabo R, Mattson MP. Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease. New England Journal of Medicine, 2019.

  4. Horne BD et al. Intermittent fasting and cardiovascular disease: evidence and uncertainties. European Heart Journal, 2021.

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