sábado, 31 de maio de 2025

NOTA SOBRE O ARTIGO " TESTOSTERONA EM MULHERES"

 

Embora o artigo seja de 2013, ele traz apontamentos valiosos sobre a fisiologia feminina, um tema frequentemente abordado de forma inadequada em materiais didáticos. Um problema recorrente é a representação gráfica das oscilações hormonais: quando a testosterona é incluída junto com o estradiol e a progesterona, os gráficos muitas vezes desconsideram as diferenças de unidades. A testosterona, cujos valores estão em uma escala maior (ex.: ng/dL), é plotada na mesma escala numérica que o estradiol e a progesterona, que possuem unidades menores (ex.: pg/mL), ignorando a necessidade de uniformização das unidades – um princípio básico para a análise de dados em ciências exatas. Este artigo é apenas um exemplo entre diversos estudos que abordam o tema, e pretendo compartilhar mais referências como esta aqui no blog ao longo do tempo.

Entendendo as unidades hormonais

1. Testosterona

  • Geralmente expressa em ng/dL (nanogramas por decilitro)

  • Faixa em mulheres: 15 a 70 ng/dL

  • Produção diária de 0,6 mg/dia, sendo em torno de 50% do ovário e 50% da glândula adrenal. 

2. Estradiol (E2)

  • Expressa em pg/mL (picogramas por mililitro)

  • Faixa em mulheres férteis: 30 a 400 pg/mL, variando conforme o ciclo

3. Progesterona

  • Expressa em ng/mL (nanogramas por mililitro)

  • Fase lútea: 5 a 20 ng/mL

Mas atenção:
1 ng = 1.000 pg, ou seja, são três ordens de grandeza de diferença entre ng/mL e pg/mL.
Além disso, ng/dL é diferente de ng/mL, já que 1 dL = 100 mL.

Portanto, ao colocar os três hormônios em um mesmo gráfico sem converter as unidades para uma escala compatível (por exemplo, todos em pmol/L ou todos em ng/mL), ocorre um erro conceitual que viola a base da análise de dados em ciências exatas.

Este é um exemplo de gráfico plotado sem uniformidade nas unidades de medida, o que pode induzir a interpretações equivocadas sobre a dinâmica hormonal.
Fonte: Coelingh Bennink, H.J.T., Schultz, I.J., Schmidt, M. et al. Progesterone from ovulatory menstrual cycles is an important cause of breast cancer. Breast Cancer Research. 2023;25:60. https://doi.org/10.1186/s13058-023-01661-0




Este é um exemplo de gráfico elaborado com uniformidade adequada das unidades de medida, extraído do artigo utilizado como base para a postagem “Testosterona em mulheres: mitos e evidências à luz da ciência”.
Fonte: Glaser, Rebecca et al. Testosterone therapy in women: Myths and misconceptionsMaturitas, Volume 74, Issue 3, pp. 230–234.




📚 Referências:


1. Sharma A, Welt CK. Practical Approach to Hyperandrogenism in Women. Med Clin North Am. 2021 Nov;105(6):1099-1116. doi: 10.1016/j.mcna.2021.06.008. Epub 2021 Sep 8. PMID: 34688417; PMCID: PMC8548673.

 

2. Sharon J. Parish, James A. Simon, Susan R. Davis, Annamaria Giraldi, Irwin Goldstein, Sue W. Goldstein, Noel N. Kim, Sheryl A. Kingsberg, Abraham Morgentaler, Rossella E. Nappi, Kwangsung Park, Cynthia A. Stuenkel, Abdulmaged M. Traish, Linda Vignozzi, International Society for the Study of Women’s Sexual Health Clinical Practice Guideline for the Use of Systemic Testosterone for Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women, The Journal of Sexual Medicine, Volume 18, Issue 5, May 2021, Pages 849–867, https://doi.org/10.1016/j.jsxm.2020.10.009




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Forte abraço,
Dra. Danielle Almeida


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