domingo, 3 de agosto de 2025

ANDAR 7 MIL PASSOS POR DIA PODE MUDAR SUA SAÚDE


 Você não precisa correr maratonas nem passar horas na academia para começar a transformar sua saúde. A ciência mostra que caminhar ao menos 7.000 passos por dia já está associado a benefícios expressivos para a longevidade, saúde cardiovascular, controle metabólico e saúde mental.

Coração mais protegido

Estudos indicam que pessoas que caminham 7.000 passos por dia têm redução significativa no risco de mortalidade por causas cardiovasculares. A atividade leve a moderada regular ajuda a reduzir a pressão arterial, melhora o perfil lipídico e reduz a inflamação crônica.

Corpo em movimento, mente ativa

Caminhar diariamente estimula o fluxo sanguíneo cerebral, melhora o humor, reduz a ansiedade e os sintomas depressivos. Além disso, previne o declínio cognitivo associado à idade.

Equilíbrio metabólico

Caminhadas regulares contribuem para o controle da glicemia, da resistência insulínica e do peso corporal, sendo uma ferramenta simples, barata e acessível para prevenção de doenças como diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

Longevidade e vitalidade

Uma pesquisa de 2021 com mais de 2.000 adultos mostrou que andar 7.000 passos por dia estava associado a uma redução de até 70% na mortalidade por todas as causas, em comparação com quem andava menos de 5.000 passos.

Link para o aplicativo PACER


📌 A mensagem é simples:

Ande mais. Sente-se menos. Viva melhor.
Se você ainda não consegue atingir 10.000 passos, comece por 7.000. Isso já faz uma enorme diferença.



REFERÊNCIAS:

1. Paluch AE, Gabriel KP, Fulton JE, et al. Steps per Day and All-Cause Mortality in Middle-aged Adults in the Coronary Artery Risk Development in Young Adults Study. JAMA Netw Open. 2021;4(9):e2124516. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.24516


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Forte abraço,
Dra. Danielle Almeida


segunda-feira, 16 de junho de 2025

LUZ AZUL, MELATONINA E SONO: COMO A ILUMINAÇÃO AFETA SUA SAÚDE?




Nas últimas décadas, a exposição à luz artificial se tornou um dos fatores mais negligenciados quando falamos em saúde metabólica, mental e hormonal. E entre os tipos de luz que mais interferem nos nossos ritmos biológicos, a luz azul merece atenção especial.


O que é a luz azul e de onde ela vem?


A luz azul faz parte do espectro de luz visível e possui comprimento de onda curto (entre 400–495 nm), sendo naturalmente emitida pelo sol. No entanto, atualmente nossas principais fontes de luz azul artificial são:
  • Telas de celulares, computadores e TVs

  • Lâmpadas de LED e fluorescentes

  • Dispositivos eletrônicos em geral

Essas fontes prolongam artificialmente a exposição à luz azul durante a noite, o que tem impactos profundos sobre o ciclo circadiano.



Como a luz azul interfere na melatonina?



A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, cuja liberação está diretamente ligada à percepção de escuridão. Quando a retina detecta ausência de luz, especialmente luz azul, a produção de melatonina aumenta, sinalizando ao corpo que é hora de iniciar o processo do sono.

O problema é que a luz azul inibe a produção natural de melatonina, mesmo em baixa intensidade. Isso significa que:

  • O início do sono é retardado

  • O sono profundo (fase N3) é comprometido

  • A qualidade do descanso é reduzida

  • Há desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA)



Por que a melatonina é tão importante?


Muito além do sono, a melatonina tem efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, neuroprotetores e imunomoduladores. Sua produção adequada está associada à:
  • Regulação do metabolismo energético

  • Modulação do humor e saúde mental

  • Proteção mitocondrial e do DNA

  • Qualidade do sistema imunológico

Baixos níveis de melatonina têm sido correlacionados com maior risco de depressão, distúrbios de ansiedade, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças neurodegenerativas.



Como a luz vermelha pode ajudar à noite?

Diferentemente da luz azul, a luz vermelha (comprimento de onda > 620 nm) não suprime a melatonina — e pode inclusive estimular sua liberação em ambientes escuros, segundo estudos recentes.

A exposição à luz vermelha suave no período noturno:

  • Não atrapalha o ritmo circadiano

  • Pode facilitar o relaxamento

  • É uma alternativa mais segura para iluminação noturna em quartos e banheiros

  • Está sendo estudada como coadjuvante em intervenções para insônia e ansiedade leve



Estratégias práticas

  • Evitar o uso de telas 1 a 2 horas antes de dormir

  • Ativar filtros de luz azul em dispositivos eletrônicos após o pôr do sol

  • Preferir luzes âmbar ou vermelhas em ambientes noturnos

  • Manter o quarto escuro ou com iluminação vermelha fraca durante a madrugada

  • Avaliar, com orientação médica, o uso pontual de melatonina em casos específicos



TAKE-HOME MESSAGE: 

📌 Cuidar da higiene da luz é cuidar da higiene do sono — e, por consequência, da saúde mental, metabólica e imunológica.


📚 Referências


  1. Cajochen, C., Frey, S., Anders, D., Späti, J., Bues, M., Pross, A., Stefani, O., & Wirz-Justice, A. (2011). Evening exposure to a light-emitting diodes (LED)-backlit computer screen affects circadian physiology and cognitive performance. Journal of Applied Physiology, 110(5), 1432–1438. https://doi.org/10.1152/japplphysiol.00165.2011

  2. Gooley, J. J., Chamberlain, K., Smith, K. A., Khalsa, S. B. S., Rajaratnam, S. M. W., Van Reen, E., Zeitzer, J. M., Czeisler, C. A., & Lockley, S. W. (2011). Exposure to room light before bedtime suppresses melatonin onset and shortens melatonin duration in humans. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 96(3), E463–E472. https://doi.org/10.1210/jc.2010-2098

  3. Figueiro, M. G., Wood, B., Plitnick, B., & Rea, M. S. (2011). The impact of light from computer monitors on melatonin levels in college students. Neuro Endocrinology Letters, 32(2), 158–163. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21552190/

  4. Zhou, J., Liu, D., Li, X., Ma, X., Fang, J., & Zhang, J. (2012). Light exposure before sleep and its impact on sleep quality: A clinical review. Sleep and Biological Rhythms, 10(1), 50–59. https://doi.org/10.1111/j.1479-8425.2011.00515.x



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Forte abraço,
Danielle Almeida
Médica CRM- RS: 59632

sábado, 14 de junho de 2025

DORMIR BEM É MAIS DO QUE DEITAR E FECHAR OS OLHOS: AS FASES DO SONO E O DESAFIO DO TRABALHO NOTURNO


Dormir é uma das funções biológicas mais essenciais para a manutenção da saúde física, mental e imunológica. Mas nem todo sono é igual — e entender as fases que compõem o ciclo do sono pode ser o primeiro passo para melhorar sua recuperação, equilíbrio hormonal e desempenho cognitivo.



As fases do sono: um ciclo essencial à saúde

O sono é dividido em duas grandes categorias:

  • Sono não REM (NREM)

  • Sono REM (movimento rápido dos olhos)

O sono NREM é composto por três estágios progressivos de profundidade: N1, N2 e N3. A cada 90 a 110 minutos, passamos por um ciclo completo (NREM (3 fases) → REM), e uma boa noite de sono contém entre 4 e 6 desses ciclos.



Fase N3: o sono profundo e restaurador


A fase N3, também chamada de sono de ondas lentas ou sono delta, é o estágio de sono mais profundo e reparador. Durante essa fase:
  • liberação intensa do hormônio do crescimento (GH)

  • O corpo realiza reparos musculares, teciduais e ósseos

  • O cérebro ativa o sistema glinfático (células da glia e linfático), responsável por “limpar” resíduos metabólicos

  • A imunidade é reforçada por meio da produção de citocinas anti-inflamatórias

  • Ocorre consolidação de memórias declarativas

Pessoas que despertam durante essa fase tendem a se sentir mais desorientadas e sonolentas. É por isso que despertadores que respeitam o ciclo natural do sono (como apps que analisam movimento corporal) vêm ganhando espaço.



Qual o melhor horário para dormir?

De acordo com estudos em cronobiologia, o corpo humano segue um ritmo circadiano natural — sincronizado com a luz solar e a liberação de melatonina.

  • A melatonina começa a subir entre 20h e 22h, com pico entre 2h e 4h da manhã

  • A fase N3 ocorre com maior intensidade nas primeiras horas do sono noturno

  • Dormir entre 22h e 23h tende a ser mais eficiente para recuperação física e hormonal, principalmente para quem deseja manter equilíbrio metabólico, desempenho cognitivo e imunidade

Ir dormir após 1h da manhã, mesmo que a duração total do sono seja mantida, pode prejudicar a proporção de fases profundas e comprometer a regulação do eixo HHA (hipotálamo-hipófise-adrenal).



E quem trabalha à noite? Como minimizar os efeitos?

Sabemos que trabalhar no turno da noite ou em plantões rotativos é uma realidade para muitas pessoas, especialmente na área da saúde, indústria, segurança e transporte. Embora o sono noturno seja o mais alinhado ao nosso ritmo biológico, existem estratégias eficazes para reduzir os impactos da inversão desse ciclo e promover mais equilíbrio mesmo em rotinas noturnas.

Estratégias possíveis:

  • Ambiente de sono escuro e silencioso após o turno (cortinas blackout, protetores auriculares)

  • Uso de óculos bloqueadores de luz azul ao sair do trabalho pela manhã

  • Evitar cafeína nas últimas horas do turno

  • Priorizar sonecas estruturadas antes e depois do trabalho

  • Em casos específicos, melatonina em dose baixa e controlada e outros ativos fitoterápicos, sob orientação médica

  • Manutenção de horários regulares de sono nos dias de folga, para evitar disritmias

Estudos mostram que mesmo nesses cenários, manter a quantidade total e a qualidade do sono N3 e REM reduz os impactos no humor, memória, imunidade e saúde cardiovascular.



Dormir bem é um cuidado essencial

O sono não é perda de tempo — é um estado ativo e vital que determina desde o equilíbrio emocional até a resistência imunológica. Reconhecer suas fases, respeitar o ritmo biológico e adotar estratégias inteligentes é parte essencial do autocuidado.



📚 Referências

  1. Cirelli, C., & Tononi, G. (2017). Effects of sleep and waking on brain function and plasticity. Current Opinion in Neurobiology, 44, 96–102. https://doi.org/10.1016/j.conb.2017.03.006

  2. Mander, B. A., Winer, J. R., & Walker, M. P. (2017). Sleep and human aging. Neuron, 94(1), 19–36. https://doi.org/10.1016/j.neuron.2017.02.004

  3. Goel, N., Basner, M., Rao, H., & Dinges, D. F. (2013). Circadian rhythms, sleep deprivation, and human performance. Progress in Molecular Biology and Translational Science, 119, 155–190. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-396971-2.00007-5

  4. Akerstedt, T., & Wright, K. P. (2009). Sleep loss and fatigue in shift work and shift work disorder. Sleep Medicine Clinics, 4(2), 257–271. https://doi.org/10.1016/j.jsmc.2009.03.001

  5. Wright, K. P., Jr., McHill, A. W., Birks, B. R., Griffin, B. R., Rusterholz, T., & Chinoy, E. D. (2013). Entrainment of the human circadian clock to the natural light-dark cycle. Current Biology, 23(16), 1554–1558. https://doi.org/10.1016/j.cub.2013.06.039



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Forte abraço,
Dra. Danielle Almeida


sábado, 7 de junho de 2025

O PODER DO MOVIMENTO NO TRATAMENTO DA DOR CRÔNICA

 

A dor musculoesquelética crônica é um dos maiores desafios de saúde pública global, afetando cerca de 30% da população mundial. Entre as mulheres, essa condição é ainda mais prevalente: estudos indicam que mais de 40% das mulheres adultas sofrem com algum tipo de dor crônica persistente, sendo duas vezes mais afetadas que os homens. As causas são multifatoriais, envolvendo desde aspectos hormonais até maior suscetibilidade à sensibilização central, um fenômeno em que o sistema nervoso amplifica a percepção da dor.

Um dos quadros mais comuns e incapacitantes dentro desse espectro é a fibromialgia, que atinge entre 6% e 8% das mulheres, sobretudo entre os 30 e 60 anos de idade. A dor é generalizada, persistente, frequentemente acompanhada de fadiga intensa, distúrbios do sono, alterações cognitivas (o conhecido “fibrofog”) e grande impacto funcional. A prevalência atinge seu pico entre os 40 e 55 anos, justamente quando muitas mulheres enfrentam desafios hormonais, emocionais e metabólicos.

O tratamento padrão-ouro para a fibromialgia e outras síndromes de dor crônica não é medicamentoso, mas sim multimodal, estruturado em três pilares principais:

  • Educação em dor baseada em neurociência;

  • Exercício físico supervisionado e progressivo;

  • Terapias cognitivo-comportamentais, com foco em sono, estresse e comportamento funcional.

Como médica, venho constantemente orientando minhas pacientes para a adoção gradual e estruturada de mudanças de estilo de vida (a famosa MEV 😊) — não como uma obrigação genérica, mas como um componente terapêutico ativo e essencial. A prática clínica tem mostrado que intervenções bem conduzidas em sono, alimentação, movimento e manejo do estresse transformam profundamente o prognóstico dessas pacientes.

Nesse contexto, uma revisão publicada recentemente no Journal of Functional Morphology and Kinesiology reforça essa abordagem, posicionando o exercício físico como um verdadeiro modulador central da dor crônica. Ele promove analgesia neuroquímica (via endorfinas, serotonina e endocanabinoides), reduz a sensibilização central e ainda atua em diversos eixos de estilo de vida: melhora a qualidade do sono, modula o eixo do estresse, regula o apetite e contribui na cessação de hábitos nocivos como o tabagismo.

Ou seja, o movimento deixa de ser uma recomendação genérica e se torna uma ferramenta terapêutica robusta, com efeitos duradouros sobre a dor e seus fatores perpetuadores. E quando inserido em um plano individualizado e consciente, torna-se um verdadeiro aliado da autonomia e do bem-estar.



1. Alívio da dor e neuroplasticidade

  • Atividade física estimula a liberação de endorfinas, endocanabinoides, dopamina e serotonina .

  • Reduz a sensibilização central e a neuroinflamação.

  • Melhora a função mitocondrial e regula neurotransmissores associados à dor e bem-estar.



2. Sono de qualidade

  • Exercício melhora o sono profundo (fase N3) e a regulação do ciclo circadiano.

  • Reduz níveis de citocinas inflamatórias e aumenta melatonina e serotonina.

  • Pode ser combinado com terapia cognitivo-comportamental para insônia em pacientes com dor crônica.



 3. Redução do estresse

  • Diminui o tônus simpático basal e os níveis de cortisol.

  • Favorece resiliência emocional e melhora a tolerância ao estresse.

  • A prática em grupo ou em ambientes naturais potencializa esses efeitos.



4. Impacto positivo na alimentação e metabolismo

  • Aumenta a sensibilidade à insulina e regula hormônios como leptina e grelina, ajudando no controle do apetite.

  • Reduz compulsões alimentares e melhora a relação emocional com a comida.

  • Favorece padrões dietéticos anti-inflamatórios e modula o sistema de recompensa cerebral.



5. Redução do tabagismo

  • Reduz a recompensa associada ao fumo, aliviando sintomas de abstinência e ansiedade.

  • Estimula os sistemas dopaminérgico e endocanabinoide, ajudando na cessação do tabaco.

  • Melhora o autocontrole e a saúde mental, fortalecendo a adesão ao processo de parar de fumar.



TAKE-HOME MESSAGE: 

A atividade física não é apenas uma estratégia complementar — ela é central na abordagem integrativa da dor crônica. Seus efeitos cruzam domínios como sono, estresse, nutrição e dependência química. Programas personalizados, associados à educação em dor, nutrição e estratégias comportamentais, promovem resultados mais duradouros e sustentáveis.



📚 Referências

  1. Núñez-Cortés R, Salazar-Méndez J, Nijs J. Physical Activity as a Central Pillar of Lifestyle Modification in the Management of Chronic Musculoskeletal Pain: A Narrative Review. J Funct Morphol Kinesiol. 2025;10(2):183. DOI: 10.3390/jfmk10020183

  2. Dellaroza MSG, Pimenta CAM, Matsuo T. Prevalência e características da dor crônica em adultos da comunidade. Rev Bras Anestesiol. 2007;57(6):607-613. Disponível em: https://www.scielo.br/j/brjp/a/Ycrw5pYxPJnwzmkKyBvjzDC/

  3. Castro M, Quarantini LC, Batista-Neves S, et al. Fibromialgia: estudo sobre prevalência, comorbidades e características clínicas. Rev Bras Reumatol. 2011;51(5):361-365. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbr/a/sxgGPbXJCrFy7CTf7f5szPS/




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Forte abraço,
Dra. Danielle Almeida







sábado, 31 de maio de 2025

NOTA SOBRE O ARTIGO " TESTOSTERONA EM MULHERES"

 

Embora o artigo seja de 2013, ele traz apontamentos valiosos sobre a fisiologia feminina, um tema frequentemente abordado de forma inadequada em materiais didáticos. Um problema recorrente é a representação gráfica das oscilações hormonais: quando a testosterona é incluída junto com o estradiol e a progesterona, os gráficos muitas vezes desconsideram as diferenças de unidades. A testosterona, cujos valores estão em uma escala maior (ex.: ng/dL), é plotada na mesma escala numérica que o estradiol e a progesterona, que possuem unidades menores (ex.: pg/mL), ignorando a necessidade de uniformização das unidades – um princípio básico para a análise de dados em ciências exatas. Este artigo é apenas um exemplo entre diversos estudos que abordam o tema, e pretendo compartilhar mais referências como esta aqui no blog ao longo do tempo.

Entendendo as unidades hormonais

1. Testosterona

  • Geralmente expressa em ng/dL (nanogramas por decilitro)

  • Faixa em mulheres: 15 a 70 ng/dL

  • Produção diária de 0,6 mg/dia, sendo em torno de 50% do ovário e 50% da glândula adrenal. 

2. Estradiol (E2)

  • Expressa em pg/mL (picogramas por mililitro)

  • Faixa em mulheres férteis: 30 a 400 pg/mL, variando conforme o ciclo

3. Progesterona

  • Expressa em ng/mL (nanogramas por mililitro)

  • Fase lútea: 5 a 20 ng/mL

Mas atenção:
1 ng = 1.000 pg, ou seja, são três ordens de grandeza de diferença entre ng/mL e pg/mL.
Além disso, ng/dL é diferente de ng/mL, já que 1 dL = 100 mL.

Portanto, ao colocar os três hormônios em um mesmo gráfico sem converter as unidades para uma escala compatível (por exemplo, todos em pmol/L ou todos em ng/mL), ocorre um erro conceitual que viola a base da análise de dados em ciências exatas.

Este é um exemplo de gráfico plotado sem uniformidade nas unidades de medida, o que pode induzir a interpretações equivocadas sobre a dinâmica hormonal.
Fonte: Coelingh Bennink, H.J.T., Schultz, I.J., Schmidt, M. et al. Progesterone from ovulatory menstrual cycles is an important cause of breast cancer. Breast Cancer Research. 2023;25:60. https://doi.org/10.1186/s13058-023-01661-0




Este é um exemplo de gráfico elaborado com uniformidade adequada das unidades de medida, extraído do artigo utilizado como base para a postagem “Testosterona em mulheres: mitos e evidências à luz da ciência”.
Fonte: Glaser, Rebecca et al. Testosterone therapy in women: Myths and misconceptionsMaturitas, Volume 74, Issue 3, pp. 230–234.




📚 Referências:


1. Sharma A, Welt CK. Practical Approach to Hyperandrogenism in Women. Med Clin North Am. 2021 Nov;105(6):1099-1116. doi: 10.1016/j.mcna.2021.06.008. Epub 2021 Sep 8. PMID: 34688417; PMCID: PMC8548673.

 

2. Sharon J. Parish, James A. Simon, Susan R. Davis, Annamaria Giraldi, Irwin Goldstein, Sue W. Goldstein, Noel N. Kim, Sheryl A. Kingsberg, Abraham Morgentaler, Rossella E. Nappi, Kwangsung Park, Cynthia A. Stuenkel, Abdulmaged M. Traish, Linda Vignozzi, International Society for the Study of Women’s Sexual Health Clinical Practice Guideline for the Use of Systemic Testosterone for Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women, The Journal of Sexual Medicine, Volume 18, Issue 5, May 2021, Pages 849–867, https://doi.org/10.1016/j.jsxm.2020.10.009




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Dra. Danielle Almeida


segunda-feira, 26 de maio de 2025

VITAMINA D3 É UM HORMÔNIO?


 
Por muito tempo, a vitamina D3 foi vista apenas como uma "vitamina para os ossos". Mas hoje, a ciência já reconhece: a vitamina D3 é, na verdade, um hormônio esteroide pró-ativo, com receptores espalhados por quase todos os tecidos do corpo humano. Sua função vai muito além da saúde óssea — e sua deficiência está associada a uma série de desequilíbrios imunológicos, hormonais, metabólicos, neurológicos e até comportamentais.


Afinal, é vitamina ou hormônio?

Tecnicamente, a vitamina D3 (colecalciferol) é classificada como um pró-hormônio. Ela é sintetizada na pele a partir da exposição ao sol (radiação UVB) e convertida no fígado em 25(OH)D, sua forma de armazenamento. Posteriormente, é ativada nos rins (e em outros tecidos) na forma de 1,25(OH)₂D, que atua como hormônio verdadeiro, se ligando a receptores nucleares (VDR – Vitamin D Receptors).

Essa forma ativa regula mais de 200 genes e modula a expressão genética de diversos sistemas. Ou seja: não é apenas uma vitamina, é um regulador epigenético.



A importância sistêmica da vitamina D (hormônio D)

Estudos recentes mostram que o hormônio D3 participa de funções fundamentais em diversos sistemas do corpo:

Imunidade:

  • Regula a resposta imune inata e adaptativa

  • Reduz produção de citocinas inflamatórias como IL-6 e TNF-α

  • Aumenta defesa contra infecções respiratórias e virais

Sistema hormonal e endocrinológico:

  • Modula o eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal)

  • Interage com a produção de testosterona, insulina, cortisol e paratormônio

  • Participa da sensibilidade celular ao hormônio da tireoide.

Saúde mental e neurológica:

  • Associada à melhora do humor, memória e função cognitiva

  • Baixos níveis estão correlacionados com risco aumentado de depressão, Alzheimer e declínio cognitivo.

Músculo, osso e metabolismo:

  • Regula metabolismo do cálcio e fósforo

  • Previne sarcopenia e melhora a força muscular

  • Contribui para sensibilidade à insulina e metabolismo energético 

Antienvelhecimento e longevidade:

  • Ação antioxidante e anti-inflamatória indireta

  • Participa da regulação do ciclo celular e apoptose

  • Pode modular telomerase e sinalização epigenética pró-longevidade



 Menos, às vezes, é mais

Apesar da importância da vitamina D, doses excessivas podem ser tóxicas. O uso indiscriminado de megadoses, sem acompanhamento médico e sem checagem de 25(OH)D sérico, pode levar a hipercalcemia, nefrocalcinose, e sintomas como fraqueza, náusea, arritmias e confusão mental.

O ideal é sempre personalizar a dose com base em exames e necessidades clínicas — equilibrando eficácia e segurança.



A curva em J ou U: a relação entre vitamina D e desfechos em saúde

Estudos populacionais mostram que tanto níveis muito baixos quanto excessivamente altos de vitamina D podem estar associados a pior desfecho em saúde, incluindo maior mortalidade, risco cardiovascular e até fragilidade óssea em idosos.

Essa relação é representada por uma curva em J ou U, onde existe uma faixa ideal, fora da qual os riscos aumentam.



TAKE-HOME MESSAGE:

A vitamina D3 é, na verdade, um hormônio regulador essencial para a saúde humana. Classificá-la como uma simples vitamina subestima sua importância e abre espaço para diagnósticos e condutas equivocadas.

Monitorar e otimizar os níveis de 25(OH)D deve ser parte essencial de qualquer abordagem clínica que valorize a medicina funcional, preventiva e regenerativa. É um dos pilares silenciosos da longevidade — e, muitas vezes, negligenciado.



📚 Referências:

  1. Holick MF. The D-lightful vitamin D for health. J Med Biochem. 2013. DOI:10.2478/jomb-2013-0001

  2. Martineau AR et al. Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory infections: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2017. DOI:10.1136/bmj.i6583

  3. Pilz S et al. Vitamin D and endocrine disorders: a review of clinical evidence. Endocr Connect. 2019. DOI:10.1530/EC-19-0099

  4. Choukri MA et al. Vitamin D deficiency and cognitive impairment: an update. J Nutr Health Aging. 2020. DOI:10.1007/s12603-020-1351-1

  5. Veronese N et al. Effect of vitamin D supplementation on physical performance. Aging Clin Exp Res. 2021. DOI:10.1007/s40520-020-01756-1

  6. Lips P et al. Current vitamin D status in European and Middle East countries and strategies to prevent vitamin D deficiency. Eur J Endocrinol. 2019. DOI:10.1530/EJE-18-0736

  7. Pludowski P et al. Vitamin D supplementation guidelines. J Steroid Biochem Mol Biol. 2018. DOI:10.1016/j.jsbmb.2018.02.019

  8. Ceglia L. Vitamin D and skeletal muscle tissue and function. Mol Aspects Med. 2008. DOI:10.1016/j.mam.2008.05.002



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Danielle Almeida
Médica CRM- RS: 59632


sexta-feira, 23 de maio de 2025

TESTOSTERONA EM MULHERES: MITOS E EVIDÊNCIAS À LUZ DA CIÊNCIA

 


A testosterona ainda é vista por muitos como um "hormônio masculino". No entanto, a ciência mais recente mostra que essa ideia é ultrapassada e pode privar inúmeras mulheres dos benefícios terapêuticos que esse hormônio oferece à saúde física, mental e metabólica feminina.

Nesta postagem, baseado no estudo publicado na revista Maturitas por Glaser e Dimitrakakis (2013), vamos desmistificar os principais equívocos sobre o uso da testosterona em mulheres e revelar como ela pode ser uma aliada poderosa das mulheres. 


🚫 Mito 1: Testosterona é um hormônio masculino

Fato: A testosterona é o hormônio sexual biologicamente ativo mais abundante nas mulheres durante toda a vida. Ela é medida em níveis muito superiores ao estradiol e está presente em todos os tecidos femininos com receptores androgênicos.


🚫 Mito 2: Testosterona só serve para libido

Fato: O desejo sexual é apenas uma das múltiplas funções da testosterona. Ela atua no humor, energia, massa muscular, composição corporal, memória, sono, saúde óssea, imunidade e função cardíaca.


🚫 Mito 3: Testosterona masculiniza mulheres

Fato: Os efeitos da testosterona são dose-dependentes. Doses fisiológicas utilizadas em medicina regenerativa não causam masculinização, e inclusive, podem "estimular a feminilidade".


🚫 Mito 4: Testosterona causa rouquidão

Fato: Não há mecanismo fisiológico ou evidência clínica de que a testosterona em doses terapêuticas cause alteração vocal. A rouquidão está associada a infecções, refluxo e uso da voz, e não ao uso de T em doses adequadas.


🚫 Mito 5: Testosterona causa queda de cabelo

Fato: A queda de cabelo feminina está muito mais relacionada à resistência insulínica, obesidade, hipotiroidismo e carências nutricionais. Muitas mulheres em uso de testosterona relatam crescimento capilar.


🚫 Mito 6: Testosterona faz mal para o coração

Fato: A testosterona tem efeitos cardioprotetores. Melhora massa magra, sensibilidade à insulina, perfil lipídico e é vasodilatadora. Baixos níveis de T se associam a maior risco cardiovascular em homens e mulheres.


🚫 Mito 7: Testosterona causa lesões no fígado

Fato: Apenas formas orais e sintéticas de andrógenos têm potencial hepatotóxico. A testosterona bioidêntica por via transdérmica ou subcutânea não prejudica o fígado nem altera enzimas hepáticas.


🚫 Mito 8: Testosterona deixa a mulher agressiva

Fato: Ao contrário. T em doses fisiológicas melhora humor, reduz irritabilidade e estabiliza o emocional, sendo inclusive usada no manejo de TPM e depressão perimenopáusica.


🚫 Mito 9: Testosterona aumenta risco de câncer de mama

Fato: T exerce efeito antiestrogênico nas mamas e pode até ser protetora, especialmente quando usada com inibidores de aromatase. O que aumenta o risco de câncer é o excesso de estradiol, não a T bioidêntica em equilíbrio.


🚫 Mito 10: Ainda não sabemos se a testosterona é segura para mulheres

Fato: A testosterona é usada com segurança em mulheres desde 1938. Estudos com implantes subcutâneos mostram segurança mesmo em seguimento de décadas.


Conclusão

A testosterona desempenha papéis importantes na saúde da mulher, especialmente em aspectos como libido, disposição, composição corporal, metabolismo e saúde óssea. Quando indicada, sua utilização deve ser feita com base em critérios clínicos, exames laboratoriais e acompanhamento médico adequado.

Em mulheres na pós-menopausa, a testosterona pode ser considerada no tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo, conforme diretrizes internacionais. Sintomas como cansaço persistente, redução da libido, alterações de humor, perda de massa muscular ou osteopenia merecem investigação médica cuidadosa, podendo envolver a avaliação do eixo androgênico.

A conduta deve sempre ser personalizada, respaldada por evidências científicas e conduzida por profissional habilitado, com foco na segurança, eficácia e bem-estar da paciente.



📚 Referência:

Glaser R, Dimitrakakis C. Testosterone therapy in women: Myths and misconceptions. Maturitas. 2013;74(3):230–234. DOI: 10.1016/j.maturitas.2013.01.003

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Nota sobre o artigo:
Embora o artigo seja de 2013, ele traz apontamentos valiosos sobre a fisiologia feminina, um tema frequentemente abordado de forma inadequada em materiais didáticos. Um problema recorrente é a representação gráfica das oscilações hormonais: quando a testosterona é incluída junto com o estradiol e a progesterona, os gráficos muitas vezes desconsideram as diferenças de unidades. A testosterona, cujos valores estão em uma escala maior (ex.: ng/dL), é plotada na mesma escala numérica que o estradiol e a progesterona, que possuem unidades menores (ex.: pg/mL), ignorando a necessidade de uniformização das unidades – um princípio básico para a análise de dados em ciências exatas. Este artigo é apenas um exemplo entre diversos estudos que abordam o tema, e pretendo compartilhar mais referências como esta aqui no blog ao longo do tempo.




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Forte abraço,
Dra. Danielle Almeida


TEORIAS DA OBESIDADE: POR QUE ENGORDAMOS?

 


A obesidade é um dos temas mais debatidos e, ao mesmo tempo, mais incompreendidos da medicina moderna. Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia global, ela afeta bilhões de pessoas e envolve fatores muito além do simples “comer demais e se mover de menos”.

No Brasil, os números são igualmente alarmantes: segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2020), mais da metade da população adulta brasileira está com excesso de peso e cerca de 26% já apresenta obesidade diagnosticada. Entre as crianças e adolescentes, o cenário também é preocupante, com aumento significativo da obesidade nas últimas décadas. Hoje já são pelo menos cinco grandes teorias que explicam o porquê de ganharmos peso — mesmo quando estamos "fazendo tudo certo".

Nesta postagem, exploro essas 5 teorias principais e dou destaque a uma nova visão científica: a do bloqueio de ATP celular causado pela frutose, que pode estar sabotando silenciosamente o seu metabolismo.



1. Teoria do Balanço Energético (ou teoria calórica)

A mais conhecida de todas: você engorda porque consome mais calorias do que gasta. Embora verdadeira em termos matemáticos, essa teoria falha em explicar por que pessoas com o mesmo consumo calórico têm resultados tão diferentes em termos de acúmulo de gordura.



2. Teoria Lipostat (o termostato da gordura)

Segundo essa teoria, temos um "set point" de gordura corporal regulado pelo cérebro (mais precisamente, o hipotálamo). Quando emagrecemos, o corpo tenta voltar ao peso anterior diminuindo o metabolismo e aumentando a fome. A leptina é um dos hormônios centrais nesse processo.



3. Teoria da Insulina (Carbohydrate-Insulin Model)

Aqui, o foco está na insulina. De acordo com essa hipótese, dietas ricas em carboidratos refinados aumentam a insulina e estimulam o corpo a armazenar gordura e inibir sua queima. Indivíduos com resistência à insulina ficariam, assim, em modo "engorda" constante.



4. Teoria Inflamatória e da Microbiota

A obesidade, aqui, é vista como uma resposta inflamatória crônica  promovida por fatores como:

  • Disbiose intestinal

  • Má qualidade do sono 

  • Estresse crônico 

  • Exposição a toxinas e ultraprocessados

Tudo isso afeta a sinalização hormonal e o controle do apetite, além de comprometer a sensibilidade à insulina.



5. Teoria da Frutose e Bloqueio de ATP (a nova luz sobre o metabolismo)

Um estudo recente publicado na revista Obesity  revelou um novo mecanismo: o da frutose como bloqueadora de ATP — a principal molécula de energia das nossas células.

Quando ingerimos frutose (natural ou industrializada), ela é metabolizada rapidamente no fígado e reduz a disponibilidade de ATP. O organismo então entra em estado de fome bioquímica, mesmo com calorias de sobra no corpo.

⚠️ Isso leva a:

  • Aumento do apetite

  • Queda da termogênese

  • Maior acúmulo de gordura abdominal

Esse efeito é ainda mais grave com o consumo crônico de xarope de milho com alto teor de frutose (HFCS), presente em refrigerantes, bolachas, molhos prontos e inúmeros industrializados.

Um adendo importante:

🍎 Frutas frescas não causam obesidade. Ao contrário, são aliadas na prevenção.

     Inclua com confiança: maçã, pera, frutas vermelhas, laranja com bagaço, ameixa, mamão (com moderação em casos específicos).

🍭 Evite sim: refrigerantes, sucos industrializados, xaropes, bolos e molhos prontos.



TAKE-HOME MESSAGE: o peso do corpo é multifatorial

A obesidade não é preguiça, nem falta de força de vontade. É uma condição biológica complexa, que precisa ser entendida com profundidade, empatia e atualização científica.

Cada uma dessas teorias traz peças importantes do quebra-cabeça. E juntas, nos ajudam a enxergar um novo caminho para o cuidado, baseado na individualidade, no metabolismo real e no respeito à biologia de cada corpo.



📚 Referências:

  1. Blüher M. Obesity: global epidemiology and pathogenesis. Nat Rev Endocrinol. 2019;15(5):288–298. DOI: 10.1038/s41574-019-0176-8

  2. Ludwig DS, Ebbeling CB. The Carbohydrate-Insulin Model of Obesity: Beyond "Calories In, Calories Out". JAMA Intern Med. 2018;178(8):1098–1103. DOI: 10.1001/jamainternmed.2018.2933

  3. Johnson RJ, Sánchez-Lozada LG, Lanaspa MA. The discovery of fructose-induced lipogenesis: a pathway for obesity, metabolic syndrome, and disease. Obesity (Silver Spring). 2022;30(1):31–39. DOI: 10.1002/oby.23223

  4. Johnson RJ, Sánchez-Lozada LG, Nakagawa T. The role of sugar and fructose in the development of obesity and the metabolic syndrome. Nat Rev Nephrol. 2013;9(6):449–461. DOI: 10.1038/nrneph.2013.102




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Dra. Danielle Almeida


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